Silenciou

Resolvi por esse nome na minha coluna porque foi um dos momentos mais tristes que já presenciei. Eu estava assistindo o jogo do Grêmio pela pré Libertadores na Arena e nunca tinha visto uma cena assim. Pela primeira vez um estádio inteiro silenciou, de verdade, por causa de uma tragédia. Sei que esse caso é diferente, porque o ocorrido foi muito próximo dos gaúchos. Não quero fazer uma análise técnica nem polêmica em volta do ocorrido, até porque faço parte de um lado que está sendo julgado, e muito, pelo que aconteceu. Não tem uma só pessoa que eu conheça que não tenha ficado triste pela morte desses 240 jovens (era o número oficial até 04 de março as 21:43, horário em que escrevi esse texto). Muitos confundiram com uma balada da qual sou sócio e da qual até trocamos o nome em respeito às vítimas. Muitas pessoas tentaram, e tentam até hoje, achar explicação para o ocorrido, não apenas uma explicação técnica, mas um porquê até espiritual. Com certeza houve muitos erros na liberação da casa, mas também ouvi muitos absurdos sobre essa questão. Desde metidos a bombeiros, funcionários públicos, delegados, advogados, donos de casa noturna, políticos... Nessas horas as rede sociais funciona tanto pro bem quanto para o mal. O fato ocorrido entristece a todos, mas podem ter certeza de que os donos de casa noturna (como eu) se entristecem de uma maneira diferente... Afinal, a coisa de que mais gostamos é proporcionar alegria e diversão às pessoas. Eu sempre tive muito orgulho em dizer ao meu filho que eu sou empresário e trabalho com a entretenimento noturno, pena que hoje tenhamos tanto receio de falar com o que trabalhamos. Tenho acompanhado de muito perto todas as ações da prefeitura de Porto Alegre junto com a comissão criada para fiscalizar nossas casas. Acredito, sim, que essa tragédia é uma maneira de separar quem trabalha sério dos aproveitadores e dos amadores. Só peço que tenham bom senso e pensem que agora não adianta apenas uma caça às bruxas e sair fechando todos estabelecimentos. Existem muitas pessoas que dependem disso para sobreviver, muitas mesmo. E também posso garantir que a maioria não queria estar em situação irregular. Precisamos de soluções, sim, mas de apoio e de tempo para executar tudo que estão pedindo. Durante muito tempo a burocracia atrapalhou muito os que trabalham pelo entretenimento da capital. Tenho plena certeza de que teremos um desfecho feliz, dentro do possível, e, também, de que esse episódio vai servir para profissionalizarmos ainda mais o nosso mercado gaúcho, que hoje é referência e um dos destinos preferidos de quem procura diversão no Brasil. No mais, espero nunca mais sentir essa sensação. Nesta edição o Megafone silenciou.