Adolescência e depressão: Como saber o que está acontecendo

Na adolescência, fase do desenvolvimento marcada pela busca de independização do jovem, em que inúmeras experiências são vivenciadas através de sentimentos mais intensos, é difícil identificar a ocorrência da depressão. Nesta etapa, a irritabilidade, o isolamento e emotividade estão mais acentuadas, devido à supervalorização dos eventos por parte do jovem, o que torna o trabalho dos pais mais complexo para a identificação de que algo não anda bem com seus filhos. Como saber se a reação diante dos eventos cotidianos está dentro do esperado para a idade ou se já é o momento de intervir? Alguns aspectos podem servir de referência para os familiares, indicando que o adolescente necessita de um suporte mais expressivo para vencer os desafios que se apresentam. Neste sentido, podemos citar: a dificuldade extrema para tomar decisões simples na rotina; sentir-se incapaz de realizar algo proposto na escola; agitação psicomotora; perda ou ganho de peso excessivo; alto nível de fantasia ao lidar com situações que necessitam de resolução imediata; e o estado de apatia prolongado. Vale lembrar que esses são apenas alguns sinais, podendo surgir de forma isolada ou em maior número. O contato com a escola, a busca de informações junto aos amigos e nos demais locais de convivência do filho também são recomendados aos pais, não ostensivamente, mas exercendo a autoridade sadia nesse momento em que, de um modo diferenciado, os adolescentes clamam por sua capacidade de proporcionar segurança. De uma forma geral, o uso do bom senso por parte dos pais como conhecedores do modo de ser e agir dos filhos, ponderando causas e conseqüências para o estado emocional e comportamental, não só é a melhor forma de ficar alerta, mas a demonstração de que são presentes e atuantes no processo de amadurecimento de seus filhos, exercendo seu papel com amor. Quando detectada a presença de processos danosos ao bem estar, o psicólogo pode ser um auxiliar válido, já que possivelmente terá maior acesso aos conteúdos causadores das dificuldades que o adolescente enfrenta, pois ele está justamente se individualizando da figura dos pais e terá maior facilidade de buscar recursos estruturantes junto ao terapeuta. Assim, o psicólogo apresenta-se como um facilitador, valorizando o vínculo com a família, mas capacitando o jovem a reunir forças para trilhar seu caminho com maior segurança fora do seio familiar.