Tratamento a base de PRP

As plaquetas têm um papel fundamental na resposta cicatricial normal, através da secreção de fatores de crescimento e de estímulo de células reparadoras. O plasma rico em plaquetas (PRP) é definido como uma amostra de sangue do paciente com altas concentrações de plaquetas. Evidências crescentes em estudos de laboratório suportam o uso de injeções de PRP para o tratamento de lesões e degenerações musculares e tendinosas. O PRP é preparado por meio da retirada de uma pequena quantidade de sangue do próprio paciente, e após uma série de procedimentos, deve ser injetado no local da lesão, com um agente ativador ou não. O PRP não tem provocado preocupações quanto a sua segurança, mas, como qualquer injeção ou infiltração, a técnica deve ser estritamente asséptica, para se evitar o risco de infecções. Estudos de culturas de células têm demonstrado evidências de que o PRP pode estimular processos associados à cicatrização de tendões e também estimular a produção de colágeno tipo I (presente nos tendões). Muitos investigadores têm demonstrado uma maior proliferação de células e angiogênese (aumento de novos vasos sanguíneos = maior circulação de sangue = maior chegada de células e fatores reparadores) em tendões de modelos animais tratados com PRP. Os pesquisadores Mishra e Pavelko avaliaram 20 pacientes que não tiveram sucesso com o tratamento cirúrgico de epicondilite (cotovelo do tenista). Destes 20 pacientes, cinco foram infiltrados apenas com anestésicos, e 15 foram infiltrados com PRP. Na avaliação final, houve uma melhora de até 93% nos pacientes tratados com PRP. Outros estudos mostram eficácia em tendinites patelares crônicas, fascite plantar, lesões musculares. Porém, estudos mais elaborados e de maior poder de confiança ainda estão em andamento. Já o pesquisador Sanchez e seus colaboradores avaliaram 12 atletas, submetidos a tratamento cirúrgico para ruptura do tendão de Aquiles. Em seis atletas, foi aplicada uma injeção de PRP no trans-operatório. Os pacientes que receberam o PRP tiveram recuperação mais rápida e menor espessamento do tendão, sugerindo menor formação de tecido cicatricial. Outros estudos avaliaram pacientes com ruptura do tendão do manguito rotador no ombro, com resultados ainda inconsistentes. Pode-se concluir que o PRP representa uma possível opção de tratamento para o estímulo e a aceleração da cicatrização e da regeneração de tecidos moles. Porém, mais estudos de maior validade clínica e estatística são necessários para determinar sua real eficácia.