A lei perante ao porte de armas

A expressão corriqueira para definir a contratação de um advogado, “o meu advogado”, quase inconscientemente traduz sentimenio de posse e propriedade (domínio) sobre o profissional. E isso, basicamente, porque a relação estabelecida é, essencialmente, uma relação de confiança. O cliente deposita nas mãos do operador do direito mais do que apenas documentos e o paga com muito mais do que apenas honorários. O momento da contratação implica em entrega de confiança e expectativas. Não por outra razão, a consulta e o parecer iniciais do profissional adquirem grande importância, já que irão se refletir no trabalho desenvolvido, durante o curso de um processo judicial, ao longo do qual os resultados serão cobrados à mesma razão das expectativas geradas. Particularmente na “advocacia empresarial”, as expectativas são objetivas, pois devem se traduzir em números; e o empresário, em geral, conhece, senão tão bem quanto o seu advogado, quase tão bem os problemas de sua empresa; o que o empresário deseja é a solução. Ciosos disto, proliferam os “proprietários de tendas mágicas”; aqueles que, através de uma complexa e intrincada rede de magia, prometem solucionar os problemas comerciais e tributários de uma empresa por meio de teses mirabolantes aceitas em tribunais longínquos e por pouco ou quase nada. Contratos que aparentemente beneficiam única e exclusivamente o contratante não existem; mas ainda assim foram fonte de renda inesgotável, durante muito tempo, para milagreiros que, tal como Penélope, teciam de dia e desfaziam o tecido à noite, procrastinando feitos pelo recebimento de módicas contribuições mensais ou mesmo vendendo produtos embutidos em uma barafunda de títulos, certificados e precatórios vencidos. Uuma técnica milenar de sedução monetária, que propõe pagar menos para economizar mais e que, ao fim e ao cabo, só solucionava um problema: o da cobrança indireta de honorários advocatícios extorsivos e desproporcionais ao grande prejuízo final com o qual contratante arca. É certo que a proposta de um bom profissional deve ser atender às exigências do setor eliminando riscos e minimizando o impacto financeiro de demandas; proteger patrimônio e defender o empresário inserto em um mercado competivo. Solucionar e não meramente intermediar. Tal como o extinto médico de família, a cada dia aumenta a procura pelo advogado que trabalha artesanalmente. Aquele que, na contramão do grande negócio em que se transmutou também a advocacia, segue com um olhar atento o caso de seu cliente e suas especificidades. Longe de um vendedor de quimeras, como tantos que o empreendedor se vê obrigado a receber e cumprimentar no dia a dia negocial; hoje, ele deseja estabelecer vínculos sólidos e profundos de confiança com o profissional que irá, sim, solucionar suas questões e poupar seus cofres de uma maneira factível e mediante pacto prévio e claro de custos operacionais. Com esta proposta inauguro esta coluna na South Star; para que, trazendo temas jurídicos da atualidade auxilie sem ilusionar. Antes de tudo, espero trazer um pouco da artesanalidade do nosso trabalho, demonstrando que é possível resolver litígios e organizar as finanças sem comprar o imponderável. Dentro desta lógica, espero que o leitor e empresário possa estabelecer critérios e, de fato, encontrar o profissional adequado, do qual possa dizer: este é o meu advogado.