Edição 99 A energia de, Giovana Haeser.

2009

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Sessão Acho que estou ficando neurótica. Desde o início do verão tenho sido atropelada por gostosas. Inúmeras gostosas. Elas me perseguem! Estão na TV, nos jornais, nas revistas, nos outdoors, exibindo tudo aquilo que não tive tempo de botar em ordem durante o ano. Ok, não passei por nenhuma “Panicat” na rua, tampouco tem uma sósia de coelhinha da Playboy trabalhando na mesa ao lado – ainda bem, porque isso, sim, é que seria concorrência desleal... O fato é que as gostosas existem, independentemente do efeito que o Photoshop lhes concede. Elas malham pesado e seguem uma rotina disciplinada de exercícios para os glúteos e outros agrupamentos musculares e uma rígida dieta isenta de doces e carboidratos. Talvez disso dependa sua renda - ou, ao menos, para a maioria delas. Ou não, talvez seja apenas uma questão de prioridades. Mas o fato é que ser gostosa mesmo (do tipo que pode usar fuseau branco) exige esforço - e isso tem seu mérito. Aquela história de ser agraciada pela genética só cola quando você tem 18 anos. Depois, a lei da gravidade impera! No entanto, convenhamos, não é missão para todas. Ainda assim, essa explicação não nos basta! Insatisfeitas sempre, nós mulheres... E daí se eu passo dez horas sentada em frente ao computador? Deveria comprar um massageador de assento Tabajara! E me arrastar até a academia mais próxima depois de um dia inteirinho de batalha. E gastar o salário naquela nova tecnologia que promete perder oito centímetros em 30 minutos (uau!). Ou correr 12 km às 5h da manhã, antes de começar a verdadeira maratona diária. E, como se não bastasse a frustração pela pele flácida, ainda somos assoladas pelo sentimento de culpa! Se as mulheres já são extremamente exigentes consigo mesmas, ainda que passemos o inverno cobertas com poncho, no verão, as reles mortais como nós (que dependem de outros atributos para pagar as contas) se tornam quase neuróticas. É praticamente uma histeria coletiva, o que torna ainda mais inverossímil a preocupação. Ora, se só cabe a poucas felizardas ganharem a vida para ser o que todas queremos apenas aparentar nas horas de lazer (já que ainda não instituíram os trajes de banho em escritórios), por que se preocupar tanto com isso? Nem esse argumento nos convence, contudo. A mulher vai querer sempre entrar numa calça menor. Ou num biquíni branco, mesmo ciente dos “abusos” cometidos no inverno. Ou desfilar uma barriguinha chapada, apesar de jamais ter feito uma abdominal. E vai achar tudo caído, ou esburacado, ou branco. A realidade é mesmo cruel e não há forma menos (nua e) crua de expor o tema... Pois é, minha filha. Milagres não existem – me avisem se souberem de alguma santa conhecida por ter exterminado a celulite de uma cristã. Então não adianta chorar pelo leite derramado (ou pelo leite condensado). Nesse momento de desgraça particular, quando nenhuma blusinha esconder as “bordinhas de catupiry”, lembre-se, com orgulho, que tudo, absolutamente tudo nessa vida tem um lado bom. Dulce de leche uruguayo? Vinho tinto para relaxar? Churrasquinho de final de semana? Yes, we can, já dizia o Obama. E não esqueça: você não está sozinha!

Edição 99 Haras Jacovas